O primeiro Boletim Focus de 2026 confirma o reenquadramento da inflação brasileira dentro da meta em 2025 e aponta perspectivas mais favoráveis para 2026. Mesmo com a melhora consistente das expectativas inflacionárias, o Comitê de Política Monetária (Copom) segue defendendo a manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado, o que amplia o debate sobre os impactos da política monetária na atividade econômica.
Assim como em 2023, primeiro ano do governo Lula, a economia volta a cumprir a meta. Em 2021, durante o governo Bolsonaro, a inflação praticamente dobrou a meta estipulada. (veja tabela abaixo)
Inflação volta ao centro do debate econômico
A inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), encerrou 2025 dentro do intervalo de tolerância estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A prévia de dezembro ficou em 0,25%, levando o acumulado em 12 meses a 4,41%, abaixo do teto de 4,5%.
Foi o segundo mês consecutivo em que a inflação permaneceu dentro da margem permitida. Em novembro, o IPCA-15 havia recuado para 4,46%, após ter superado o limite desde janeiro. No pico do ano, em abril, o índice acumulado chegou a 5,49%, segundo dados do IBGE.
Focus confirma estabilidade e queda nas projeções
O relatório Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (5) mostrou estabilidade em três das quatro principais medianas acompanhadas pelo mercado financeiro. A única variação foi na projeção de inflação para 2026, que oscilou marginalmente de 4,05% para 4,06%, após oito semanas consecutivas de queda.
Para 2025, a mediana das expectativas recuou pela oitava semana seguida, passando de 4,32% para 4,31%, ficando 0,18 ponto percentual abaixo do teto da meta. Já para 2026, a estimativa acumula seis quedas consecutivas nas leituras recentes e está bem abaixo do patamar observado há um mês, quando era de 4,17%.
As projeções para os anos seguintes seguem ancoradas: 3,80% em 2027 e 3,50% em 2028, ambas estáveis há nove semanas.
BC projeta inflação ainda menor no horizonte relevante
O próprio Banco Central trabalha com cenário mais benigno para os próximos anos. De acordo com as comunicações mais recentes do Copom, a autoridade monetária espera inflação de 4,4% em 2025 e de 3,5% em 2026. No horizonte relevante da política monetária — o segundo trimestre de 2027 —, a expectativa é de IPCA em 3,2%, próximo ao centro da meta contínua de 3%.
No último Relatório de Política Monetária, o BC destacou que o retorno da inflação à faixa de tolerância faz parte do processo de convergência e reafirmou o compromisso com o centro da meta.
Juros altos persistem apesar do cenário mais favorável
Mesmo diante da melhora nas expectativas, o Copom manteve a taxa Selic em 15% ao ano pela quarta reunião consecutiva. O patamar é o mais elevado desde julho de 2006, quando os juros estavam em 15,25%.
Segundo o comitê, a estratégia de manter os juros elevados por um período prolongado é considerada “adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”. O mercado, no entanto, projeta que a Selic recue para 12,25% ao final de 2026, 10,50% em 2027 e 9,75% em 2028.
Economistas lembram que juros elevados encarecem o crédito, desestimulam o consumo e o investimento e tendem a limitar o crescimento da economia, ainda que contribuam para o controle inflacionário.
Crescimento moderado e câmbio estável
As projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) indicam crescimento moderado nos próximos anos. Para 2026, a expectativa do mercado é de expansão de 1,8%, mesmo percentual projetado para 2027. Em 2028, o crescimento estimado sobe para 2%.
No câmbio, o cenário segue estável. O dólar deve encerrar 2026 cotado a R$ 5,50, valor mantido há 12 semanas consecutivas nas projeções do Focus. Para 2027 e 2028, as estimativas permanecem próximas, em R$ 5,50 e R$ 5,52, respectivamente.
Debate sobre política monetária ganha força
Com a inflação novamente enquadrada na meta e expectativas mais baixas para 2026, cresce o questionamento sobre a necessidade de manter juros tão elevados por tanto tempo. Enquanto o Banco Central insiste na cautela, setores produtivos e analistas apontam que a persistência da Selic em níveis historicamente altos pode dificultar a retomada mais robusta do crescimento econômico nos próximos anos.
| Ano | Meta (%) | Intervalo de tolerância (%) | Inflação efetiva(Variação do IPCA, %) |
| 2024 | 3,00 | 1,50-4,50 | 4,83 |
| 2023 | 3,25 | 1,75-4,75 | 4,62 |
| 2022 | 3,50 | 2,00-5,00 | 5,79 |
| 2021 | 3,75 | 2,25-5,25 | 10,06 |
| 2020 | 4,00 | 2,50-5,50 | 4,52 |
| 2019 | 4,25 | 2,75-5,75 | 4,31 |
| 2018 | 4,5 | 3,0-6,0 | 3,75 |
| 2017 | 4,5 | 3,0-6,0 | 2,95 |
| 2016 | 4,5 | 2,5-6,5 | 6,29 |
| 2015 | 4,5 | 2,5-6,5 | 10,67 |
| 2014 | 4,5 | 2,5-6,5 | 6,41 |
| 2013 | 4,5 | 2,5-6,5 | 5,91 |
| 2012 | 4,5 | 2,5-6,5 | 5,84 |
| 2011 | 4,5 | 2,5-6,5 | 6,50 |
| 2010 | 4,5 | 2,5-6,5 | 5,91 |
| 2009 | 4,5 | 2,5-6,5 | 4,31 |
| 2008 | 4,5 | 2,5-6,5 | 5,90 |
| 2007 | 4,5 | 2,5-6,5 | 4,46 |
| 2006 | 4,5 | 2,5-6,5 | 3,14 |
| 2005 | 4,5 | 2-7 | 5,69 |
| 2004* | 3,755,5 | 1,25-6,253-8 | 7,60 |
| 2003* | 3,254 | 1,25-5,251,5-6,5 | 9,309,30 |
| 2002 | 3,5 | 1,5-5,5 | 12,53 |
| 2001 | 4 | 2-6 | 7,67 |
| 2000 | 6 | 4-8 | 5,97 |
| 1999 | 8 | 6-10 |
8,94 |
VERMELHO
https://vermelho.org.br/2026/01/05/inflacao-cumpre-meta-em-2025-e-projecoes-melhoram-para-2026/