A captura de Nicolás Maduro pelo governo dos Estados Unidos reacendeu tensões geopolíticas na América Latina e levou investidores globais a reavaliar cenários de risco na região. Apesar disso, o Brasil aparece em posição relativamente confortável nesse novo contexto, segundo análise do banco suíço UBS, que vê impactos imediatos limitados para os ativos brasileiros.

De acordo com o banco, embora o episódio tenha potencial para aumentar a volatilidade em alguns mercados latino-americanos, especialmente México e Colômbia, o Brasil reúne características que funcionam como amortecedores frente a choques externos. Entre elas estão o tamanho da economia, a diversificação das relações comerciais e uma melhora recente no relacionamento com Washington.

Relação com os EUA e peso da China ajudam

Na avaliação do UBS, o Brasil se beneficia do fato de ter a China como principal parceira comercial, o que reduz a dependência direta do ciclo econômico e das decisões políticas dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a relação bilateral entre Brasília e Washington apresentou avanços nos últimos meses, como a retirada de tarifas sobre produtos brasileiros e a suspensão de sanções com base na Lei Magnitsky.

Esse contexto contribui para diminuir o risco de reações negativas mais intensas dos investidores em relação aos ativos locais, mesmo em um cenário de maior incerteza regional. Diferentemente de outros países da América Latina, o Brasil não está diretamente associado aos fatores que motivaram a ofensiva americana contra a Venezuela, como a atuação de cartéis de drogas, o que também ajuda a limitar o contágio.

Ainda assim, o UBS pondera que os desdobramentos do episódio podem levar o mercado a revisitar “riscos de cauda” que haviam saído do radar. Em um ambiente de maior aversão ao risco, investidores tendem a analisar com mais atenção vulnerabilidades específicas de cada país, inclusive do Brasil, sobretudo se a crise evoluir para tensões geopolíticas mais amplas.

Nesse cenário mais adverso, os principais canais de transmissão para a economia brasileira seriam indiretos, por meio de uma eventual desaceleração do crescimento global e de oscilações nos preços das commodities.

Por ora, no entanto, a avaliação predominante é de que o Brasil segue relativamente protegido, funcionando mais como um porto de estabilidade regional do que como um foco de risco em meio à crise venezuelana.

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