Pesquisa mostra apoio amplo à jornada 5×2, inclusive entre eleitores de diferentes espectros políticos, e reforça o peso social do debate no Congresso

A maioria já decidiu e a mudança deixou de ser pauta de nicho e virou consenso social: a escala 6×1 está sob pressão crescente. E a maioria quer vê-la no passado, aponta pesquisa.

Trata-se de a pesquisa do instituto Real Time Big Data, divulgada terça-feira (5), que revela que 71% dos brasileiros apoiam a substituição da escala 6×1 pela 5×2. Apenas 26% são contrários, enquanto 6% não souberam ou não responderam.

O dado consolida tendência: o modelo que concentra 6 dias de trabalho para apenas 1 de descanso perdeu legitimidade social e passou a ser visto como incompatível com padrões mínimos de qualidade de vida.

Consenso além da polarização

O apoio à mudança atravessa o eleitorado dos principais pré-candidatos à Presidência, indicando que o tema rompe bolhas políticas e ideológicas.

Entre eleitores de Lula (PT), 84% defendem a escala 5×2. No campo de Flávio Bolsonaro (PL), o apoio chega a 59%. Entre simpatizantes de Ronaldo Caiado (PSD), são 66%.

O padrão se repete em outros grupos: 68% dos eleitores de Ciro Gomes (PSDB) apoiam a mudança; entre os de Romeu Zema (Novo), o índice é de 52%. No eleitorado de Renan Santos (Missão), 56% se posicionam a favor.

Mesmo onde há maior resistência, a adesão à proposta ainda predomina. Sinal de que a pauta ganhou capilaridade nacional e extrapola as clivagens políticas e ideológicas.

Pressão social e resposta política

O avanço do debate no Congresso não ocorre por acaso. A pauta é impulsionada por sindicatos e movimentos sociais, que transformaram a jornada de trabalho em tema central da agenda pública.

O governo Lula incorporou essa pressão: enviou proposta — PL 1.838/26, em regime de urgência constitucional — para reduzir a jornada semanal para 40 horas e extinguir a escala 6×1, além de lançar campanha para ampliar o apoio popular à medida.

Mudança de época

Mais do que discussão técnica, o tema reflete disputa sobre o tempo de vida do trabalhador. A escala 6×1, historicamente naturalizada, passa a ser questionada como expressão de modelo que prioriza produtividade em detrimento do bem-estar.

A pesquisa — realizada com 2 mil eleitores entre 2 e 4 de maio, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95% — indica que a sociedade já se moveu.

Agora, a pressão recai sobre o sistema político: acompanhar ou resistir à mudança que, para a maioria, é necessária.

DIAP

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