As negociações salariais seguem em trajetória positiva no Brasil: em abril, 94% tiveram reajustes acima da inflação. A variação real média foi de 1,39% acima da inflação, medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), do IBGE. Os dados forma divulgados nesta quinta-feira (21) pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
Segundo a medição, de um total de 92 reajustes da data-base registradas até 8 de maio, 93,5% resultaram em ganhos reais aos salários. Outros 4,3% conseguiram só a recomposição do poder de compra e 2,2% ficaram abaixo da inflação.
Considerando os dados de janeiro a abril, 90% das negociações analisadas resultaram em ganhos acima do INPC. De acordo com o Dieese, “o percentual é significativamente superior ao registrado no período das últimas 12 datas-bases, em que ganhos reais foram observados em 77,1% dos casos”.
Segundo a entidade, a variação real média dos reajustes de abril (1,39%) foi menor do que o observado em março (1,99%). Já no caso de janeiro a abril, a variação média real ficou em 1,81% e em 0,94% quando consideradas as 12 últimas datas-bases.
Não houve, até o momento, reajustes parcelados e, no caso do escalonamento do reajuste — pago em percentuais diferentes conforme a faixa salarial do trabalhador ou tamanho da empresa — o percentual foi de 7,6%.
Já o valor médio dos pisos salariais no período de janeiro a abril foi de R$ 1.867, enquanto o mediano ficou em R$ 1.736. Nas últimas 12 datas-bases, o valor médio dos pisos foi de R$ 1.920, e o mediano, de R$ 1.804
Setores econômicos e regiões
O setor de serviços continua sendo o que teve melhor desempenho em 2026, com quase 92% das negociações obtendo ganhos reais. Na sequência vem o meio rural, com 90%; indústria, com 89% e comércio, com 86%. Em relação à variação real média, observa-se a mesma ordem: em primeiro, os serviços (2,01%), seguidos por setor rural (1,65%), indústria (1,64%) e comércio (1,41%).
O Dieese também informa que considerando as últimas 12 datas-bases, os industriários tiveram o maior percentual de reajustes acima da variação (82,1%), enquanto o setor de serviços obteve a maior variação real média (0,98%).
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O maior piso médio deste ano foi encontrado em serviços (R$ 1.912), enquanto o maior piso mediano ocorreu no setor rural (R$ 1.850). Nas últimas 12 datas-bases, o maior piso médio foi observado também nos serviços (R$ 1.965) e o maior mediano, na indústria (R$ 1.857).
Considerando o recorte regional, o Dieese destaca que, entre janeiro e abril de 2026, “os reajustes acima da inflação foram frequentes, presentes em mais de 87% das negociações em todas as regiões, com destaque para o Centro-Oeste, com ganhos reais em 93,2% dos casos. Nessa região também foi observada a maior variação real média dos salários: 2,24%”.
VERMELHO