Milhares de trabalhadores ocuparam ruas e praças em diversas regiões do país nesta terça-feira (30) no Dia Nacional de Mobilização pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial. Convocados pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), demais centrais sindicais, frentes populares e movimentos sociais, os atos pressionaram o Senado Federal a colocar em votação a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019.

A proposta, aprovada pela Câmara dos Deputados no fim de maio, prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e garante dois dias de descanso semanal remunerado, sem redução de salários. Desde então, a matéria aguarda despacho do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para iniciar sua tramitação na Casa.

As manifestações reuniram sindicatos, estudantes, movimentos populares, parlamentares e trabalhadores de diferentes categorias, reforçando que a redução da jornada se tornou uma das principais bandeiras do movimento sindical brasileiro.

São Paulo concentra maior ato do país

A maior mobilização ocorreu na capital paulista, onde milhares de pessoas caminharam da Avenida Paulista até a Praça Roosevelt.

O protesto reuniu sindicatos, movimentos de moradia, juventude e partidos políticos. Cartazes e palavras de ordem cobraram que o Senado vote imediatamente a proposta, considerada pelas entidades uma medida capaz de melhorar a qualidade de vida da classe trabalhadora.

Além da redução da jornada, os participantes defenderam melhores condições de trabalho, valorização dos salários, direito à moradia e combate à violência contra as mulheres.

CTB lidera mobilizações em diferentes estados

A CTB esteve entre as principais articuladoras da jornada nacional, organizando atos e atividades em diferentes capitais e cidades do interior.

No Rio de Janeiro, centenas de trabalhadores percorreram cerca de seis quilômetros entre o Terminal Gentileza e a Avenida Brasil. O presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Márcio Ayer, destacou que categorias como o comércio convivem diariamente com jornadas exaustivas e afirmou que trabalhadores mais descansados tendem a produzir mais.

No Rio Grande do Sul, a marcha saiu da Rodoviária de Porto Alegre até o Palácio Piratini. O presidente da CTB-RS, Rodrigo Callais, criticou a demora do Senado em analisar a proposta e cobrou que os senadores gaúchos revejam sua posição sobre o tema. “O Senado não avança por uma intransigência de Alcolumbre, que não bota para discutir, não bota na Comissão de Constituição e Justiça, não escolhe relator, e o projeto está lá parado”, disparou.

Centrais sindicais levaram milhares as ruas de Porto Alegre na manhã desta terça-feira (30) para pressionar os senadores contra a escala 6×1

Segundo ele, a população terá oportunidade de avaliar, nas eleições, quem apoiou ou bloqueou uma reivindicação respaldada pela maioria dos trabalhadores. “Um dos nossos pedidos aqui é justamente que os dois senadores do Rio Grande do Sul, que são contrários, revejam a posição deles. Queremos que os três senadores aqui do Estado votem a favor do fim da escala 6×1, que é a vontade da ampla maioria da população”, detalhou o dirigente.

A CTB também lançou a plataforma Aprova Senado!, que permite aos trabalhadores enviar mensagens diretamente aos senadores de seus estados, ampliando a pressão popular pela votação da PEC.

PCdoB reforça apoio à pauta dos trabalhadores

Lideranças do PCdoB participaram das mobilizações em diferentes estados, reafirmando o apoio histórico do partido à redução da jornada de trabalho.

A bancada do PCdoB também marcou presença ativa nas mobilizações, alinhando seu discurso à defesa intransigente dos direitos trabalhistas e à solidariedade entre categorias. No Rio de Janeiro, onde o ato se fundiu à greve dos rodoviários, a deputada estadual Dani Balbi (PCdoB) reforçou o apoio da legenda à classe trabalhadora e aos motoristas de ônibus.

“Mais um dia de greve, mais um dia de luta pelo fim da escala 6×1 e por salário digno. A classe trabalhadora não para até ter direitos de verdade”, afirmou a parlamentar do PCdoB, destacando que a conquista da jornada de 40 horas é um passo fundamental para a dignidade humana e para a saúde física e mental dos trabalhadores.

Em diversos atos, dirigentes comunistas atuaram ao lado da CTB, sindicatos e movimentos populares na defesa da aprovação da PEC e da valorização do trabalho como eixo do desenvolvimento nacional.

Mobilização alcança todas as regiões do país

A articulação das frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, junto às centrais sindicais, garantiu um amplo painel de mobilizações em pelo menos 14 estados e no Distrito Federal. O Ceará saiu na frente, realizando um ato pioneiro já na última quinta-feira (25), em Fortaleza.

Em vários estados, sindicatos aproveitaram o dia para ampliar a coleta de assinaturas, distribuir materiais informativos e estimular a população a pressionar diretamente os parlamentares.

Também houve mobilizações em diversas grandcidades de Santa Catarina, além de panfletagens, caminhadas e atividades de diálogo com trabalhadores em terminais urbanos, centros comerciais e locais de grande circulação.

Em Minas Gerais, atos ocorreram simultaneamente em Belo Horizonte, Uberlândia, Juiz de Fora, Divinópolis, São João del-Rei e Teófilo Otoni.

No Ceará, Fortaleza antecipou a mobilização ainda na semana anterior, abrindo a campanha nacional.

A jornada nacional registrou manifestações e atividades em dezenas de cidades brasileiras.

Confira o raio-x das cidades que pararam nesta terça-feira (30):

Pressão deve continuar até a votação da PEC

As centrais sindicais anunciaram que a mobilização não se encerra com os atos desta terça-feira. A estratégia prevê novas manifestações, campanhas nas redes sociais e articulação direta com os parlamentares para impedir que a proposta permaneça parada no Senado.

Para a CTB e as demais entidades organizadoras, o avanço da PEC representa uma atualização histórica da legislação trabalhista, aproximando o Brasil de experiências internacionais que vêm reduzindo jornadas para ampliar a qualidade de vida, preservar a saúde dos trabalhadores e estimular ganhos de produtividade sem redução de direitos.

Enquanto o Senado não pauta a matéria, a orientação das organizações é manter a mobilização permanente nas ruas e nos estados, ampliando a pressão social pela aprovação do fim da escala 6×1.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2026/06/30/atos-pelo-fim-da-escala-6x1-tomam-o-pais-e-pressionam-o-senado-federal/